TEMA: Futebol: racismo e o negro no futebol carioca III
Nossa aula foi:
EIXO TEMÁTICO
Investigação, estudo e pesquisa
HABILIDADES
Selecionar fontes de pesquisa de forma segura de acordo com a problemática em estudo.
OBJETIVOS DE CONHECIMENTOS
Literatura dentro do projeto científico
CONTEÚDO
Literatura dentro do projeto científico
METODOLOGIA:
O objetivo dessa aula é realizar leitura e parafrasear o texto selecionado para a problemática da pesquisa. Ainda problematizar a questão do racismo, ocorrido que provocou a elaboração de um ofício por um presidente do Vasco da Gama em 1924.
Para tanto, nos serviremos de aula prática em que os alunos realizarão a leitura de um fragmento racismo e o negro no futebol carioca. Esses tópicos frasais servirão para compreensão da temática e para produção textual do relatório final da pesquisa
MATERIAL:
GOMES, Tawane Maria Santos. Entre favelados, mulambos e urubus: o racismo na história do Clube de Regatas do Flamengo. Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em História da Universidade Federal de Sergipe. Aracaju: Centro de Educação e Ciências Humanas; Departamento de História, 2022. (pág. 12-14)
FUTEBOL: RACISMO E O NEGRO NO FUTEBOL CARIOCA III
Ao ganhar o campeonato com o elenco formado por jogadores negros, o Vasco causou uma reação dos clubes da elite, que desejavam voltar aos “bons tempos do futebol”, ou seja, o futebol para brancos. A reação foi criar uma espécie de liga, e em 1924 nascia a AMEA, formada pelos grandes clubes da elite carioca (Flamengo, Botafogo, Fluminense, América e Bangu)
“Assim, a fundação da AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Atléticos) é apontada pelas narrativas como um dos principais indícios ou prova da mentalidade racista/segregacionista que rondou o futebol carioca na década de 20.” (SOARES, A. J, 2014, p.126).
O futebol carioca era regido pela METRA, porém, os grandes clubes começaram a ficar incomodados com a administração popular da mesma e sugeriram uma reformulação. Nada feito. O jeito foi criar uma nova liga e voltar ao que chamavam de “profissionalismo” do futebol. Então, no dia 01 de março de 1924, a manchete estampou: “OS DISSIDENTES DO FOOTBALL CARIOCA FUNDARAM HONTEM A ASSOCIAÇÃO METROPOLITANA DE ESPORTES ATHLETICOS- AMEA”.
Poderia fazer parte da AMEA quem preenchesse os requisitos para a participação, o Vasco até tentou, mas para fazer parte, tinha que eliminar 12 jogadores negros de seu elenco, pois, não preenchiam os requisitos solicitados pela mesma.
Foi então que no dia 07 de abril de 1924, o presidente do Vasco emitiu o ofício que hoje é considerado um marco na luta antirracista do século XX.
“Rio de Janeiro, 7 de abril de 1924 Ofício no. 261
Exmo. Sr. Arnaldo Guinle, M.D. presidente da Associação Metropolitana de Esportes Athleticos.
As resoluções, divulgadas hoje pela imprensa, tomadas em reunião de ontem pelos altos poderes da Associação, a que V. Exa. tão dignamente preside, colocam o Club de Regatas Vasco da Gama em tal situação de inferioridade que, absolutamente, não pode ser justificada nem pela deficiência do nosso campo, nem pela simplicidade da nossa sede, nem pela condição modesta de grande número dos nossos associados.
Os privilégios concedidos aos cinco clubes fundadores da AMEA e a forma como será exercido o direito de discussão e voto, e as futuras classificações, obriga-nos a lavrar o nosso protesto contra as citadas resoluções.
Quanto a condição de eliminarmos doze (12) jogadores das nossas equipes, resolve, por unanimidade, a diretoria do Club de Regatas Vasco da Gama, não a dever aceitar, por não se conformar com o processo porque foi feita a investigação das posições sociais desses nossos con-sócios, investigações levadas a um tribunal, onde não tiveram nem representação nem defesa.
Estamos certos que V. Exa. será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno da nossa parte sacrificar ao desejo de filiar-se a AMEA alguns dos que lutaram para que tivéssemos, entre outras vitórias, a do Campeonato de Futebol da Cidade do Rio de Janeiro de 1923.
São esses doze jogadores jovens, quase todos brasileiros, no começo de sua carreira, e o ato público que os pode macular, nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que eles, com tanta galhardia, cobriram de glórias.
Nestes termos, sentimos ter de comunicar a V. Exa. que desistimos de fazer parte da AMEA.
Queira V. Exa. aceitar os protestos de consideração e estima de quem tem a honra de se subscrever de V. Exa. Att. Obrigado.
Dr. José Augusto Prestes – Presidente” (O PAIZ, 1924)
🔖ATIVIDADE AVALIATIVA🎒
Registro no caderno das paráfrases elaboradas com base na leitura do texto. Problematizar a situação de racismo debatido no ofício do presidente do Vasco de 1924.
🔖ATIVIDADE AVALIATIVA FLEXIBILIZADA🎒
Registro no caderno de palavras-chaves encontradas na leitura do texto.